COLOCA UM CAVALO AQUI DENTRO

E VÊ QUANTO TEMPO ELE DURA

ELE MORRE, FICA LOUCO.

O ÚNICO QUE SUPORTA ISSO AQUI É O SER HUMANO.

(C.P.)

TEMPO

O homem é a criatura que pode se acostumar a tudo,

e creio que essa é talvez a melhor definição para ele.

Fiódor Dostoiévski

Métrica utilizada para a compreensão do espaço. Também voltada à valoração das coisas. Forma de percepção da vida.

O tempo é o referencial indispensável do homem para se ambientar. Tudo é calculado em tempo x espaço. O tempo de gestação. O marco inicial da vida. O tempo da infância. O trabalho, a produção, o repouso, a vida, a morte. A escala do tempo possibilitou conhecer os limites do espaço, mensurá-lo. Definiu as barreiras e o valor necessário para transpô-las.

E o tempo também é a medida exata para a precificação das coisas, das relações, do ter e do não ter.

O aspecto impessoal do tempo possibilitou estendê-lo a tudo e todos. Como uma categorização legítima e impassível. Tão indiferente e soberana que não cede a recalques. Impossibilita a experimentação. Assim é o tempo. É uma categoria imanente à existência. A antecede, convive com ela e a transcende.

Mas o tempo aplicado ao homem ganha nova fórmula métrica. O tempo vivido, suportado por cada um é um tempo todo especial. Um tempo individual. Alheio a qualquer conhecimento pressuposto. Mas isso não importa. O tempo é importante demais e deveras necessário para ser questionado a essa altura da vida. E assim o homem estabeleceu toda a fórmula. Categorizou o trabalho, a vida e a existência. A produção e a livre circulação foi regulada também pelo senhor de todos os tempos.

E não tardou para que o tempo se mostrasse também o capitão da punição. Pois ao se estabelecer como criador e regulador, não poderia deixar de pertencer ao eixo da repreensão.

O tempo se tornou na contemporaneidade a forma de medir a pena. A orientar o discurso da prevenção, ressocialização e punição. Mas de qual tempo se está a falar? A punição aplicada depende da plataforma mais real, mais humana. E o tempo de cada um não é um tempo individual?

A métrica abstrata e soberana do tempo possibilitou a previsão de pena. Toda a ordem da transgressão deverá ser respondida com a privação da liberdade, por determinado tempo. Um confinamento do homem, por algum tempo. Mas qual é esse tempo? Aquele previsto como métrica abstrata e inexorável? Ou o tempo individual do sofrimento da reclusão?

Não é possível bem responder a esse questionamento. Não há tempo para compreender o porque o tempo x sofrimento é mais longo do que aquele tempo confortável da métrica estática. O tempo não pode ser relativizado. O homem é o seu destinatário e não o seu pressuposto.

Eis o desígnio e a medida de nossa regulação e de nossa pena.

Tiroteio!! tiroteio!? Mas foi na praia? Foi na Visconde de Pirajá?

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